quinta-feira, 30 de junho de 2016

A carta

            - Você está olhando para esse envelope há exatos dez minutos. Por que não abre e acaba com esse suspense?
            - Você está me vigiando? O que há com você?
            - Laura eu me importo muito com você e vi quando o boy lhe entregou esse envelope. Conheço-a há tempo suficiente para saber de quem é e também que ela vai lhe trazer um grande aborrecimento.
            - Não exagere Paulo, essa carta me trouxe lembranças, situações que demorei muito para compreender, que ficaram guardadas lá no fundo do meu inconsciente. E se pode se dizer isso, no fundo do meu coração.
            - Então abra, já que trouxe lembranças, talvez cure de vez as feridas.
            - Talvez! Mas não vou fazê-lo aqui. Não quero você bisbilhotando a minha vida. Vou para casa e amanhã conversaremos.
            No dia seguinte como de hábito, Paulo esperou por Laura na entrada do prédio em que trabalhavam. Observava-a como um cão farejador, na expectativa de encontrar alguma emoção. Vendo sua aflição, Laura disse:
            - Paulo o que é isso? Nos conhecemos a tantos anos e você está me olhando como se eu estivesse com uma doença contagiosa. Tudo isso por curiosidade?
            - Você está enganada Laura, eu estou preocupado com você. Sei quem mandou a carta e o quanto ele a fez sofrer. Por isso estou aqui esperando-a para saber o que ele quer agora.
            Laura respirou fundo e disse calmamente:
            - Explicar porque me deixou naquela noite.
            - Depois de todo esse tempo? Você não vai aceitar as explicações dele vai?
            - Paulo eu nem terminei de falar, o que há com você?
            - Você não percebe não é? Eu estou aqui todos os dias a sua espera e você não me vê. Procuro você em todos os lugares e você não consegue me enxergar não é mesmo? Sou um idiota, com certeza você vai aceitar as explicações e recebê-lo de volta.
            Laura olhava-o boquiaberta:
            - Por que você nunca me falou dos seus sentimentos? Sempre me fez acreditar que não queria compromisso. Agora me acusa de não entendê-lo? Tudo por causa de uma carta que você nem sabe o que contém?
            - Laura eu amo você há muito tempo. Sempre tive medo de revelar-lhe meus sentimentos por medo de ser rejeitado. Sei o quanto ele era importante para você.
            - Então se eu não tivesse recebido aquela carta você jamais se declararia?
            Paulo sentiu-se ruborizar e apenas sacudiu a cabeça.
            - Meu Deus Paulo, quanto tempo perdido. Estamos juntos praticamente todos os dias e separados por uma dúvida sua. Você devia confiar mais em si mesmo e entender que uma carta muitas vezes serve apenas para solucionar um vazio do passado. Uma situação não resolvida. Nada além disso.
            - Laura me sinto um adolescente pego numa travessura. Por favor me dê uma nova chance, me permita amá-la como eu sempre sonhei.
            - Com uma condição.
            - Todas as que você impuser.
            - Nunca mais falaremos sobre o passado.
            Paulo sorriu e beijou-a ternamente. Abraçados seguiram para mais um dia de trabalho, enquanto a carta permanecia fechada dentro da bolsa de Laura.

            Cristina Cimminiello
O Jantar

O dia amanheceu nublado. Vera olhava pela janela e não percebeu a chegada de sua irmã. Sandra tocou-lhe no ombro e disse:
- Onde você estava? Estou falando, falando e você não me responde.
- Desculpe Sandra, eu estava distraída.
- Distraída? Você estava a quilômetros daqui. Vamos lá minha irmã  diga o que a está preocupando.
- É coisa minha.
- Vera moramos juntas a tempo suficiente para eu saber que “é coisa minha” é algo que você quer contar mas está com receio da minha opinião. Vamos lá, você vai falar ou eu vou adivinhar?
- Não dá pra esconder nada de você não é mesmo?
- Vera você é quase transparente e aposto que esse ar de desamparo tem a ver com o convite para o jantar de encontro da turma da faculdade. Acertei?
- Ar de desemparo? Você não acha que está exagerando?
- Não Vera, é só olhar pra você. Você já resolveu se vai?
- Não.
- Por que não?
- Porque não sei quem vou encontrar, a formatura foi a tanto tempo e você sabe como foi difícil pra mim.
- Vera, pelo amor de Deus. Na formatura você tinha vinte e três anos, hoje  é uma médica bem sucedida, fez vários cursos, tem um trabalho reconhecido e um belo cargo num dos hospitais pais requisitados deste pais. Por que essa insegurança?
- Não sei, quando me lembro do passado...
- Vera você está com medo de rever o Luiz Otávio? Eu não acredito nisso.
- Sandra para você é bobagem, mas para mim não.  Eu estava apaixonada, nosso namoro ia bem até aparecer aquela tal de Cláudia, e você sabe o resto da história.
- Sim eu sei, aquele idiota deixou você plantada no baile por causa da tal de Cláudia. Vera, francamente, você é uma mulher bonita, uma profissional competente, com uma carreira brilhante e se deixando levar por um engano do passado, por uma pessoa que todos sabiam que não te dava valor. Você deixou essa dor ficar ai dentro por vinte anos Vera? Eu não posso acreditar.
- Sandra eu não preciso que você acredite ou não é a minha vida e você não tem nada com isso.
- Talvez eu não tenha mesmo nada a ver com isso. Agora ver a minha irmã mais velha sozinha, triste, se matando de trabalhar, sem aproveitar um pouco que seja da vida, isso é da minha conta sim. Você tem que ir a essa jantar para exorcizar esse fantasma. Para encontrar a alegria que você deixou esquecida naquele baile. Minha irmã você precisa acordar e viver. A vida é preciosa demais para ser colocada de lado porque um amor não deu certo. Você ficou sozinha esses anos todos sem dar chance a nenhum homem de conhece-la, de que vissem a pessoa maravilhosa que você é. Isso, que você queira ou não, é sim da minha conta. E eu vou fazer de tudo para você ir a esse jantar.
Vera ia retrucar mas a chegada de Paulo, marido de Sandra, não lhe deu tempo.
- Boa tarde meninas, interrompo?
- Não Paulo, mas você pode me ajudar a por um pouco de juízo na cabeça dessa minha irmã.
- Juízo na cabeça da Vera? Sandra o que deu em você?
- Eu quero que ela vá ao jantar de reencontro da turma de medicina e ela não quer porque teme encontrar o Luiz Otávio.
- Sandra agora você foi longe demais. Envolver o Paulo nos meus assuntos pessoais é inadmissível. Eu vou para o hospital e quando eu voltar não quero falar mais nesse assunto. Não vou e acabou, espero que tenha ficado bem claro para você.
Vera saiu batendo a porta, coisa que ela não costumava fazer. Paulo questionou a esposa:
- Sandra o que você fez?
- É uma longa história.
- Então venha cá e me conte, tenho todo tempo do mundo e gosto muito da irmã. Não quero que vocês briguem por uma bobagem.
Sandra então contou ao marido o que havia acontecido no baile de formatura da irmã.
- Sandra se isso foi tão difícil pra Vera, porque você quer que ela vá a esse jantar?
- Por que ela se isolou do mundo. Paulo estamos casados a cinco anos, a Vera mora aqui conosco a dois anos. Qual foi a última vez que você a viu sair para dar um cinema com amigos, ou mesmo sair conosco para um barzinho?
- É mesmo, você sabe que eu não tinha reparado nisso.
- Aí é que está, todos estamos acostumados a ela entrar e sair, de uniforme para ir ao hospital, para atender algum paciente em casa, para um curso novo, para um congresso, mas nunca para um passeio.
- E você acha que tudo isso é por causa de um cara que ela namorou na faculdade?
- Tenho certeza, toda vez que toco no assunto ela se irrita  e diz que não é da minha conta. Eu converso com algumas enfermeiras lá do hospital e elas são unanimes: a Vera não aceita nenhum convite para sair principalmente ser for de algum médico. Sabe qual é a desculpa dela?
- Já posso imaginar.
- Exatamente: ela está temporariamente morando conosco e não quer atrapalhar a nossa rotina, ou então vai ficar com as crianças para nos podermos sair. Eu quero apenas que ela viva um pouco fora da profissão. Que encontre alguém que a mereça e a faça feliz.
- Tem alguma coisa que eu possa fazer? Eu gosto muito da Vera. É a irmã que eu não tive.
- Não Paulo, eu vou continuar insistindo. O jantar é no dia 28, faltam dez dias, quem sabe até lá eu consigo dobrá-la.
- Está bem Sandra, não vou interferir. Ela é sua irmã, você a conhece melhor do que eu. Se houver uma chance, por menor que seja eu falo alguma coisa. Combinado?
- Combinado.
Alguns dias depois, Paulo estava tomando o café da manhã quando Vera chegou.
- Bom dia!
- Bom dia Vera, venha tomar café eu acabei de passar.
- E a Sandra?
- Ela ainda está dormindo. Hoje eu preciso chegar mais cedo, teremos reunião de diretoria e quero repassar os slides antes da reunião começar. Da última vez tinha uma palavra escrita de forma incorreta, ai já viu né? Parece que no texto todo só se vê a tal palavra.
- Eu sei como é, já passei por isso.
- O plantão foi calmo?
- Foi, não houve nenhuma emergência para cirurgia. Fizemos apenas as visitas e acompanhamentos de rotina. Paulo eu queria me desculpar por outro dia, sai batendo a porta.
- Não se preocupe Vera, às vezes dá vontade de fazer isso mesmo. Mas tente entender a Sandra, ela gosta muito de você.
- Eu sei, pensei muito sobre o que ela disse e confesso que tenho evitado falar com ela sobre esse assunto.
- Olha Vera eu sei que você passou por um momento difícil, todos pensam que para nós homens ser posto de lado encaramos numa boa, mas não é assim não. O sentimento de perda, a frustração ou talvez a quebra do orgulho, é terrível.
- Quebra de orgulho?
- É orgulho. Quando somos feridos no nosso orgulho nos impedimos de olhar a vida com clareza. Digamos assim, ser passados pra trás é terrível para nosso orgulho, porque passamos a questionar o que fizemos de errado, nos culpamos pelo abandono, quando não temos culpa nenhuma. Quem nos deixou sem motivo ou sem uma palavra de despedida é que deveria estar preocupado com o porque e não nós.
- Falar assim parece fácil.
- Não é fácil não. Tente ver o outro lado. Será que se vocês tivessem ficados juntos teriam sido felizes? Onde está ele agora? E você? Onde está agora? Será que não é melhor ele voltar a vê-la linda como você está hoje? Será que você preocupada em só olhar para esse cara, não deixou algum coração partido?
- Você está sendo mais psicólogo do que a Sandra.
- Eu? Psicólogo? Não cunhada, sou advogado e aprendi a sempre olhar os dois lados na história. Agora preciso ir. Você trabalhou a noite toda e precisa descansar, eu vou encarar aquela turma da engenharia.
- Obrigada Paulo, tenha um bom dia.
Vera continuava sentada a mesa segurando uma xícara de café quando Sandra aproximando-se disse:
-Bom dia Vera, não ouvi você chegar.
- Bom dia Sandra, cheguei ainda a pouco, estava conversando com o Paulo, acordei você?
- Não, já estava na hora de levantar, daqui a pouco vou acordar as crianças para irem a escola.
- Sandra você contou pro Paulo sobre o Luiz Otávio?
Sandra sentiu-se ruborizar:
- Contei sim Vera, aquele dia que você saiu batendo a porta eu estava furiosa com você e acabei contando para o Paulo.
- Acho que você fez bem. Sabe seu marido parece ter o poder de convencer as pessoas a tomar decisões que estavam suspensas.
 É o Paulo é muito bom com as palavras  e consegue enxergar detalhes que muitas vezes nos passam despercebidos.
- É isso mesmo, sabe ele me fez ver que tenho agido com uma certa infantilidade desde que me formei, você tem razão, vou ao jantar e se ainda houver tempo, vou rever minha vida.
Sandra levantou-se e abraçando a irmã disse:
- Puxa Vera que bom. Fico muito feliz com isso, tenho certeza que você vai encontrar alguém muito legal para dividir com você tudo o que a vida tem a oferecer.
 Obrigada mana, agora vou precisar de você preciso me atualizar com a moda, cabelo, maquiagem...
- Conte comigo Vera, você vai ser a mulher mais linda da noite.
No dia do jantar, Vera entrou na sala e todos a olharam admirados:
- Nossa tia Vera, você tá linda.
- Obrigada meu amor, consegui tudo isso com ajuda da mamãe.
Sandra respondeu:
- Nada disso, você é uma linda mulher, agora sorriso no rosto e confiança em si, vá ao jantar e divirta-se.
Paulo perguntou:
- Você vai dirigir ou quer que eu chame um taxi?
- Vou dirigir Paulo, não se preocupe.
- Bom jantar cunhada, divirta-se.
- Obrigada. Vocês são uns amores.
Chegando ao restaurante onde seria realizado o jantar, Paula observou que havia manobristas para estacionar o carro, enquanto ela orientava um deles sobre o alarme do carro, um homem aproximou-se e colocou-se ao lado dela assustando-a.
- Desculpe-me Vera, não tive intenção de assustá-la.
- Desculpe-me você sabe meu nome e eu me lembro do seu rosto, mas me perdoe quem é você?
- Meu nome é Arthur, lembra? Eu assistia às aulas de anatomia ao seu lado. Era a única aula que o Luiz Otávio não estava próximo a você.
- Meu Deus é claro, Arthur, me desculpe, é que faz tanto tempo.
- Pois é vinte anos. Eu perdi você no baile de formatura, mas hoje não vou deixa-la sair de perto de mim. Claro a menos que você me diga que seu marido ou namorado chegarão daqui a pouco.
Vera sorriu e disse:
- Eu não me casei e não estou namorando, mas você? Não se casou? Será que a sua namorada não está pra chegar?
- Não Vera, não me casei. Depois da formatura eu achei que você havia se casado com o Luiz Otavio. Fiz residência aqui no Brasil e quando terminei recebi um convite para ir para o Canadá, voltei ao Brasil este ano.  Alguns dias atrás eu o encontrei e ele me disse que vocês tinham se separado logo após o baile. Quando recebi o convite para o jantar renovei minhas esperanças de que a encontraria e aqui estou.
- Por que você não se casou?
- Porque não encontrei ninguém que despertasse em mim a emoção que você despertou quando estávamos estudando.
- Você nunca disse nada, eu jamais percebi ...
- Eu sei, você só tinha olhos para o Luiz Otávio, eu não podia fazer nada apenas ama-la de longe. Como disse um poeta certa vez: “ se naquele tempo eu soubesse o que sei agora eu não teria perdido você”, eu teria ido atrás de você quando a vi correr para o carro do seu pai e ir embora antes da valsa dos formandos terminar.
- Puxa Arthur que palavras lindas, será que ainda a tempo pra nós?
- Tenho tanta certeza disso que adiei meu retorno ao Canadá apenas para estar aqui esta noite com você.
- Obrigada, você não sabe como suas palavras estão sendo importantes na minha vida. Se eu tivesse mais maturidade na época certamente não teria fugido do baile, mas sim voltado e aproveitado aquela noite.
- Então vamos aproveitar esta noite e deixar que o tempo se encarregue de nos mostrar o que faremos a seguir.
Assim Vera e Arthur, de mãos dadas, entraram no restaurante onde reencontraram os amigos que não viam há exatos vinte anos.
Cristina Cimminiello




Fernando Tremonti do Leitura no Vagão fez uma resenha linda sobre o romance As joias de Rovena.

As joias de Rovena - resenha.

A autora narra um conto cheio de tramas, mistérios, romance e suspense. A história se passa numa cidade pacata no interior de São Paulo, Rovena, onde existe uma má administração sob o comando do Prefeito Henrique, a população o repudia.
Por outro lado sua irmã Marta, uma médica dedicada, trabalhadora, todos admiram seu empenho no hospital, ela tem brigas constantes com seu irmão, o Prefeito Henrique, pois, ela quer construir um novo hospital em beneficio da população e ele sempre rejeitando. Visando apenas o seu próprio beneficio, até que, com a chegada de Armando Lucan a história toma rumos inimagináveis.
A vida de Marta e Henrique andarão em sentidos opostos a partir da chegada de Armando, nos fazendo entender que a Verdade é um poder que não devemos esconder, se você escolhe omitir ou mentir, um dia tudo isso virá a tona e a Verdade vencerá.
Uma história cheia de amores, crimes e manipulação de fatos, onde acontecimentos obscuros do passado ajudarão a desvendar os mistérios de Rovena. Um conto repleto de diálogos, onde personagens se interligam uns aos outros sem se conhecerem, uma das histórias mais surpreendentes que eu li e convivi, me senti parte desta história.
A vida é feita de boas ações e intenções, honestidade deveria ser hábito e não uma obrigação, a Verdade sempre prevalecerá, e as barreiras que a vida nos impõe são apenas testes para seguirmos firmes nessa luta, afinal, somos guiados pela nossa Fé.

Este reencontro aconteceu em agosto de 2015. 

Um novo encontro


Cada encontro traz pessoas novas, histórias novas, neste quarto encontro, alguns estiveram conosco pela primeira vez, uma delas trouxe o neto, o outro a filha e a esposa.
 Faltaram vários amigos que haviam confirmado a vinda, provavelmente impedidos por problemas pessoais.
Padre Carmine trouxe-nos uma novidade: vai escrever sobre nossos encontros. Nossa turma começou a se formar em 1962, na Escola Paroquial São Sebastião.
As professoras que nos alfabetizaram, quase todas faleceram, deixaram lembranças de bons momentos mas também de alguns puxões de orelha, permitidos naqueles tempos.
A Irmã Inez, a Irmã Francelina, a Irmã Benedita e tantas outras também já se foram. Ralhavam conosco quando fazíamos arte, mas nos deram os ensinamentos necessários para progredirmos nos estudos, quando deixamos o antigo curso primário, hoje fundamental 1, e seguíamos orgulhosos para o curso ginasial, hoje fundamental 2.
Lembrar daquela época também traz lembranças de volta pra casa com amigos, íamos conversando até a casa de cada um, as vezes a conversa ia até o ponto de ônibus, quando nos despedíamos e víamos nossos amigos entrarem no Eroles.
Recordar, voltar no tempo, ter a consciência que nossa média de idade hoje é 59 anos, porém nossas lembranças nos fazem parecer ter 12 anos, tal a alegria que esse encontro desperta em nossos corações.
Os garçons que nos atenderam faziam muitas perguntas: quem era a moça mais bonita? E o rapaz mais bonito? A curiosidade deles era interessante de observar, eles não perdiam um detalhe, ajudaram com as fotos, quiseram saber sobre os livros sorteados, participaram do almoço conosco, desfrutando da nossa animação, das nossas lembranças gravadas no tempo.
Cristina Cimminiello


                

sábado, 1 de novembro de 2014

A Chuva

Finalmente ela chegou.
Anunciada por raios e trovões e acompanhada pelo vento, veio trazendo alegria para aqueles que esperavam por ela.
Lavou a alma das árvores, que balançavam-se ao sabor do vento.
Amenizou as feridas da terra ressequida.
Alegrou as flores dos jardins, que mostravam-se vistosas depois de estarem com ela.
Pássaros cantavam após a sua passagem.
E assim, tão rápida com veio, se foi. 
Deixou o ar mais leve, o brilho do arco-iris e a esperança de que, em breve, a veríamos novamente.

Cristina Cimminiello

domingo, 20 de julho de 2014

Amigos

Quando penso em meus amigos, me vem a mente a música Canção da América, de Fernando Brant e Milton Nascimento “amigo é coisa pra si guardar, do lado esquerdo do peito...”.
Amigos são pessoas presentes em vários momentos de nossa vida. Há quem diga que os “amigos”, aqueles verdadeiros, podemos contar nos dedos. Talvez seja verdade, porém prefiro pensar que amigos vêm e vão, em vários momentos que vivemos.
Nossos primeiros amigos muitas vezes são conhecidos quando entramos na escola, e, passados os anos, os reencontramos quando alguns colegas resolvem chamar toda a turma para um almoço ou um jantar. Geralmente, nessa comemoração laços de amizade partidos voltam a se unir.
Fazemos amizade com os pais dos amigos dos nossos filhos, que muitas vezes duram enquanto as crianças estão na mesma escola, frequentam o mesmo clube, ou quando os acompanhamos as disputas esportivas como futebol, vôlei ou natação. Quando elas crescem, os interesses mudam, alguns vão estudar em outras cidades e restam apenas lembranças da época vivida.
Amigos que conhecemos no local onde trabalhamos e de quem nos distanciamos, assim que trocamos de emprego  ou somos transferidos para uma filial em local distante.
Amizades que surgem quando começamos a namorar e somos apresentados aos amigos do namorado ou da namorada. Algumas dessas pessoas permanecem presentes depois do casamento, no nascimento dos nossos filhos e posteriormente dos nossos netos. E ainda, quando perdemos um ente querido.
Cada momento da vida nos traz e nos leva amigos, porém, se observarmos com atenção, veremos que nunca estamos sozinhos, tem sempre um amigo por perto rindo conosco, chorando ou emprestando o ombro para conter nossas lágrimas, ouvindo nossas reclamações, compartilhando nosso sucesso ou mesmo nos chamando atenção, quando nos sentimos o centro do universo.
Por tudo isso eu não acredito que temos poucos amigos. Eles vêm e vão, quando a vida nos aproxima ou nos afasta daqueles que por algum motivo estiveram presentes em todos os momentos, sejam bons ou ruins.
O meu carinho a todos os meus amigos, os que estão próximos, os que estão distantes, os que a vida afastou. Que nossa amizade se estenda para outras pessoas, que com certeza precisam ter por perto pessoas como vocês.



domingo, 23 de março de 2014

Um amigo inesquecível!

         Todas as pessoas que gostam de animais têm um amigo inesquecível. Eu sempre falo do meu cachorro, o Roliço.
           Sempre lembrado pela sua meiguice, sua forma de se aproximar, principalmente quando alguém da família estava triste. Ele se aproximava e ficava sentado ao nosso lado em silêncio, como se estivesse entendendo, ou talvez estivesse mesmo, que alguma coisa estava errada.
           Quando estávamos brincando ou o chamávamos para sair ele vinha fazendo muita festa, balançando-se todo. Roliço fez parte da nossa vida por 9 anos.
         Depois desse tempo o seu organismo foi ficando debilitado por conta da epilepsia, que ele sofria desde os três anos. O tratamento controlava os ataques, mas, foi deixando-o debilitado.
             Para ele eu dedico esses versos escritos pelo poeta Paulo Odair:

             

O meu cachorro
Se o meu cachorro pudesse falar,
Certamente diria: - Toda vez que o vejo,
Ah! Como eu quero lhe abraçar,
Mas quando abano o rabo,
Expresso o sentimento de amor, por você.
Se ele pudesse falar, ainda diria:
- Entenda-me, por favor, não mordo ninguém,
Se for seu amigo, é meu também.
Mas o meu cão não fala.
Quando sente dor, dá um gemido e se cala.
Os seus olhos tristes, fitam a gente.
E não sei o que ele sente.
Meu querido cão, este poema,
Fiquei na dúvida, se faria ou não.
Fiz para você, que já se foi,
E ficou na saudade que trago no coração.



segunda-feira, 17 de março de 2014

Um dia perfeito!


O dia amanheceu nublado. Chovera muito durante a noite, porém, o cinza do dia não tirou a alegria dos amigos que se encontrariam para o almoço.

Passaram-se mais de 40 anos até que acontecesse o reencontro dos alunos da Escola Paroquial São Sebastião e do Colégio e Escola Normal Estadual de Suzano, o CENES.

Durante a manhã a chuva voltou, forte, aguardada porque o calor do verão estava  castigando a todos, porém, ao meio dia, o sol brilhou, o céu clareou e todos chegaram ao restaurante sem contratempos. 

Alguns vieram de outras cidades: Campinas, Pindamonhangaba, Brasília, o encontro foi cheio de emoção.

Abraços, lágrimas, sorrisos, movidos pela ansiedade guardada a espera desse dia. A alegria dos amigos era contagiante. 

Falaram de filhos, maridos, esposas, netos, trabalho, carreiras, viagens, experiências vividas fora de Suzano, todos falavam ao mesmo tempo, querendo saber tudo uns dos outros, recordando momentos vividos quando eram crianças.

Na Escola Paroquial, a postura da Irmã Inês, sempre autoritária, não admitia brincadeiras. As professoras Srªs. Lidia Martins, Alice Romanos, Luci Kowalski, Terezinha Pinheiro, Eunice, todas em memória, a Srª. Heleninha Bonilha. Todas foram mestras na Escola Paroquial, onde eles fizeram o curso Primário, hoje denominado Fundamental I.

Sairam da Escola Paroquial para cursar o Ginásio, hoje Fundamental II, no CENES. A turma foi separada e nas novas salas de aula, novos alunos, novos amigos.

Recordaram os professores do CENES, Sr. Missao, que ensinava Matemática, a Sra. Zélia, que ensinava Inglês, Sr. José Leal que ensinava Francês, que hoje não está mais no currículo escolar, Paulo Henrique e Bartolomeu, que ensinavam desenho e tantos outros, cada professor deixou em cada um uma lembrança diferente. 

Quando terminaram o Ginásio, separaram-se novamente, alguns foram para escolas técnicas, outros para escolas em outras cidades, mas guardaram na memória a lembrança dos momentos vividos naquela escola.

Lembranças evocadas nesse reencontro. Não sentiram o tempo passar, ficaram juntos por várias horas, matando as saudades e prometendo que se encontrarão dentro de alguns meses, procurando trazer outros amigos que não puderam estar presente neste dia.

As despedidas foram longas, abraços, trocas de e-mails, telefones, indicações para o facebook, e uma certeza: o tempo passou, todos ficaram mais experientes, mais maduros, mas conservaram a alegria juvenil que foi revivida neste encontro.

A natureza  brindou-os com uma bela tarde de sol, que transformou uma data tão importante, dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, em um Dia Perfeito.

Cristina Cimminiello












A fotografia



Ela acessou sua página do facebook e nela estava postada uma foto dos tempos da escola primária, termo que não se usa mais, hoje se diz escola fundamental I.

Depois de alguns minutos a lembrança daquele tempo despertou recordações. Onde andariam as meninas? Estavam uniformizadas, a foto foi tirada no período de aula. 

Quanto tempo havia se passado? Trinta anos? Talvez mais. Naquela foto estavam sete amigas, mas havia outras. Recordou-se que havia guardado a fotografia da formatura do quarto ano primário. Meninas e meninos estavam sentados esperando para receber o diploma. Sérios, atentos, aguardando que fossem chamados para receber o documento que lhes permitiria continuar os estudos em outras escolas. 

Separou a foto e com receio de que as amigas não gostassem da publicação preferiu consulta-las: 

- Publique sim, quem sabe assim conseguiremos saber onde eles estão. 

- Concordo, poderemos tentar encontra-los para um almoço, o que vocês acham? 

Todas acharam a ideia ótima. Reuniram-se para um encontro inicial e divertiram-se lembrando das histórias daquela época. 

A publicação da foto com os outros alunos despertou o interesse de vários deles para se encontrarem e descobrir o que cada um havia feito depois da formatura. 

Alguns estão casados, outros separados, alguns com filhos, outros são avós. A alegria do reencontro movimentou os formandos de 1967 e os amigos que fizeram a partir desse ano. 

A cada convite, alguém mais é lembrado e o convidado se encarrega de trazê-lo para o encontro. 

O almoço está marcado. Os convidados estão todos confirmando presença, ansiosos com o reencontro. Amigos que hoje moram longe de Suzano também virão. Será um dia marcante na vida de todos eles. 

Em breve contaremos como foi esse reencontro, quantas histórias alegres, pitorescas, talvez algumas tristes, porém todas serão partilhadas por um grupo de amigos, que a vida um dia separou, para anos depois, mais experientes e seguros, poderem se reencontrar para matar as saudades. 

Cristina Cimminiello 



domingo, 10 de novembro de 2013

As joias de Rovena


A autora narra um conto cheio de tramas, mistérios, romance e suspense. A história se passa numa cidade pacata no interior de São Paulo, Rovena, onde existe uma má administração sob o comando do Prefeito Henrique, a população o repudia. Por outro lado sua irmã Marta, uma médica dedicada, trabalhadora, todos admiram seu empenho no hospital, ela tem brigas constantes com seu irmão, o Prefeito Henrique, pois, ela quer construir um novo hospital em beneficio da população e ele sempre rejeitando, visando apenas o seu próprio beneficio, até que, com a chegada de Armando Lucan a história toma rumos inimagináveis.

A vida de Marta e Henrique andarão em sentidos opostos a partir da chegada de Armando, nos fazendo entender que a Verdade é um poder que não devemos esconder, se você escolhe omitir ou mentir, um dia tudo isso virá a tona e a Verdade vencerá.

Uma história cheia de amores, crimes e manipulação de fatos, onde acontecimentos obscuros do passado ajudarão a desvendar os mistérios de Rovena. Um conto repleto de diálogos, onde personagens se interligam uns aos outros sem se conhecerem, uma das histórias mais surpreendentes que eu li e convivi, me senti parte desta história.

A vida é feita de boas ações e intenções, honestidade deveria ser hábito e não uma obrigação, a Verdade sempre prevalecerá, e as barreiras que a vida nos impõe são apenas testes para seguirmos firmes nessa luta, afinal, somos guiados pela nossa Fé.



Christiano Kayo

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A casa das pastilhas azuis

Você conhece a história da sua casa?
Não adianta dizer: "claro, fui eu que a construí!"
Quero saber se você conhece a história do lugar, a origem daquela rua ou daquele loteamento.
As casas antigas, reformadas, escondem mais histórias do que as mais novas. Casas recebidas por meio de uma herança, presente dos pais aos filhos, quando estes se casam. Mesmo que você more em um apartamento, já teve a curiosidade de saber o que havia naquele terreno?
Antigamente, lá pelos idos de 1970, as casas da rua 7 de Setembro eram simples, foi quando construíram a "casa das pastilhas azuis". Dizíamos pedrinhas azuis, com o tempo aprendemos a diferenciar pedrinhas de pastilhas de revestimento.
Era uma casa linda, chamava a atenção de todos. Nela moravam um casal e seus filhos.
Estudamos com eles no Colégio Estadual, o CENES, hoje Escola Estadual Geraldo Justiniano de Rezende e Silva, eu também morava naquela rua, numa das casas simples.
Todos que por ali passavam comentavam sobre a beleza da casa.
O tempo passou, a vida mudou, mudamos para outro bairro e não mais vimos os moradores da casa das pastilhas azuis.
As casas daquela rua ou foram reformadas ou foram transformadas em escritórios, lojas, clínicas, muitos moradores dali foram morar em condomínios, não mais havia crianças brincando na rua.
Anos depois, passei em frente a casa e observei que estava em estado de abandono, janelas quebradas, portões amarrados, azulejos soltos, parecia que a casa estava morrendo. Vocês já observaram que as casas vazias, deixadas para alugar ou vender, parecem tristes, bem ao contrário das casas novas, recém pintadas, que brilham, emanam luz e calor. Dá vontade de permanecer ali. Ao passo que as casas deixadas para trás, parecem frias, não temos prazer em permanecer nelas.
É recomendável que se pinte ou reforme uma casa antiga antes de habitá-la, quanta coisa aconteceu ali entre risos, lágrimas, brincadeiras, festas, discussões, nascimentos, mortes, é como se as emoções aderissem as paredes da casa.
Hoje, a casa das pastilhas azuis não existe mais, foi demolida, lá só está o terreno vazio. Será que construirão outra casa? Será que o novo proprietário vai se preocupar em conhecer a história daquele imóvel?
Deveria, afinal um dia ela foi a casa mais linda daquela rua!
Cristina Cimminiello


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Vamos brindar a chegada da Primavera?


                    Hoje acordei recordando uma canção antiga, uma marcha de carnaval composta em 1961 por Paulo Soledade e gravada por Altemar Dutra. A letra é simples, mas recordá-la ao abrir a janela e ver o sol brilhando, faz lembrar que falta apenas uma semana para a chegada da Primavera.
Para os que não se lembram,  a letra é esta:

Vê, estão voltando as flores
Vê, nessa manhã tão linda
Vê, como é  bonita a vida
Vê, há esperança ainda
Vê, as nuvens vão passando
Vê, um novo céu se abrindo
Vê, o sol iluminando
Por onde nós vamos indo
Por onde nós vamos indo.

Não sou poeta mas,  admiro quem consegue traduzir em versos a beleza que se vê na natureza: o céu azul, as estrelas, as flores que estão desabrochando, afinal tem alguma estação mais colorida do que a Primavera?
Nossa cidade pode não ter a beleza que gostaríamos, mas não podemos deixar de admirar os ipês, principalmente os amarelos, que floresceram,  há dias atrás, trazendo o brilho do sol para nossas ruas.
Observamos árvores frondosas, repletas de flores amarelas e também árvores quase sem folhas, confundidas com troncos secos, mas que igualmente nos brindaram com flores tão firmes que nem a chuva as derrubou.
Então? Vamos brindar a chegada da primavera?
Cristina Cimminiello

                                                                                                                     

Qual o sentido da palavra medo?


Sentimos medo do desconhecido, de novas experiências, de pessoas que não conhecemos, mas, o que existe por trás do medo? Orgulho? Inexperiência? Acomodação? Insegurança?
A violência que vivemos hoje não difere da que viveram nossos pais, lógico que para eles o mundo de hoje é bem mais violento do que o de antigamente, porém não podemos esquecer que atualmente a população é bem maior, consequentemente os problemas sociais também.
O mundo modifica-se a cada minuto. Pessoas morrem vitimas de doenças para as quais a medicina não encontrou ainda solução, por idade, nosso corpo envelhece, embora nossa mente permaneça ativa, há ainda as vítimas de  guerras, acidentes, terremotos e outros abalos da natureza.
Mas e o medo? Por que tememos o novo, o desconhecido? Temos medo de fracassar diante de um desafio em nossa profissão, em um novo romance, em uma viagem para um lugar que conhecemos apenas por fotografia ou programas de turismo.
O orgulho e a inexperiência nos impedem de seguir em frente porque podemos iniciar algo novo e errar, então o medo aparece na possibilidade de sermos ridicularizados.
A acomodação nos impede de sair de um emprego que abominamos porque tememos perde-lo e não conseguirmos outro que nos permita manter nosso padrão de vida.
Alguém disse certa vez: “O medo de perder tira a vontade de ganhar!”. Sábias palavras! O medo nos impede de viver, de crescer, de tomar atitudes que possam melhorar nossa vida.
Devemos temer sim atitudes impensadas, atitudes preconceituosas e pré-julgamentos. Devemos ouvir os mais experientes ou conhecedores de assuntos que não dominamos. Consultar aqueles que se sobressaíram em atividades que gostaríamos de realizar.
Mas, sobretudo, não devemos temer a vida, ela nos abre caminhos que muitas vezes nos parecem inimagináveis. Quando queremos mudar algo em nossa realidade, devemos reagir ao medo e buscar conhecimento para aproveitar o que ela está colocando diante de nós.
O medo não deve nos afastar do sucesso, ao contrário, deve nos impulsionar a melhorar em nossas escolhas profissionais e pessoais. Tomar uma decisão de mudança e de repente perceber que não era exatamente o que queríamos não deve nos deixar com medo de tentar novamente. É a tentativa de erro e acerto que nos impulsiona para o futuro.
O medo existe para nos fazer refletir sobre as decisões que devemos ou queremos tomar, não para nos impedir de seguir em frente.

Cristina Cimminiello

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A Estrela e o Vento



O dia amanheceu ensolarado. Havia chovido dois dias antes e o ar estava leve. Aquele era um dia especial. O lançamento do segundo romance da escritora. O dia transcorreu tranquilo. Na empresa todos se agitavam para divulgar aquele trabalho, percebia-se o quanto estavam interessados em seu sucesso.
A imprensa local divulgou amplamente sua história e o lançamento do livro novo. À tarde, enquanto ela se preparava para receber os amigos veio a notícia: “uma nuvem pairava sobre o local do evento impedindo que ele se iniciasse”.
O que fazer? Como cancelar o evento marcado para 19h, eram 18h? Como avisar os convidados que vinham de outras cidades. Ela dirigiu-se ao local do evento e confirmado que ele não seria realizado ficou esperando as pessoas que chegariam para explicar-lhes o ocorrido.
Ela não estava sozinha. O marido, um dos irmãos, o garçom, todos permaneceram ao seu lado, indecisos, preocupados. Telefonemas começaram a ser realizados, era necessário avisar o pessoal do Buffet contratado e pedir que aguardassem até depois do horário combinado porque não havia para onde encaminhar os produtos preparados por eles.
Às 18h30m juntou-se a eles a Estrela, preocupada porque ela havia organizado o evento naquele local, tentando tranquilizar a todos disse:
- Não vamos desistir, vamos pedir ajuda ao Vento.
E assim o fez. Enquanto ela buscava o Vento, a escritora atendia telefonemas, explicando para as pessoas o que estava  acontecendo. Juntaram-se a ela amigos seus e de seu filho, que permaneceram ao lado dela aguardando pacientemente os acontecimentos.
A espera angustiava a escritora. Quem aceitaria recebe-la? Salões não se alugam em cima da hora, restaurantes não a aceitariam porque estava levando o que deveria ser servido no coquetel. A resposta não demorou a chegar: “O  Vento providenciara um local para onde o evento seria transferido, junto com a Estrela preparariam o local para a noite de autógrafos,  a escritora receberia seus amigos conforme o combinado. Outra Estrela aproximou-se e colocou um cartaz na porta do local onde estavam, informando a mudança de endereço do evento.
A escritora permanecia ali,  esperando que seus convidados chegassem para informa-los do ocorrido e pedir que se dirigissem ao restaurante do Vento.  O colunista social e o fotógrafo, os amigos do condomínio, o poeta, o pintor, os amigos do filho, os familiares, todos solidários à escritora dirigiram-se ao restaurante e ficaram esperando por ela.
Ao lado dela permaneceram alguns amigos e o marido, para acompanha-la quando ela se sentisse segura de que ninguém ficaria sem informação.
Às 20h30m a escritora chegou ao restaurante e agradeceu a todos os presentes, lamentando que em virtude da confusão de cancelamento ou não do evento, alguns amigos deixaram de comparecer.
O evento realizou-se como esperado. O ar estava leve novamente. Os amigos se confraternizaram e manifestaram sua indignação para com a nuvem, porém a alegria reinava naquele ambiente repleto de estrelas.
A Noite estava clara, o Vento dissipara a nuvem e no céu o que se via era uma linda Constelação.
Cristina Cimminiello




Bemvindos ao Sarau

Oi pessoal, é muito bom saber que vocês vieram participar do meu sarau.