quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A casa das pastilhas azuis

Você conhece a história da sua casa?
Não adianta dizer: "claro, fui eu que a construí!"
Quero saber se você conhece a história do lugar, a origem daquela rua ou daquele loteamento.
As casas antigas, reformadas, escondem mais histórias do que as mais novas. Casas recebidas por meio de uma herança, presente dos pais aos filhos, quando estes se casam. Mesmo que você more em um apartamento, já teve a curiosidade de saber o que havia naquele terreno?
Antigamente, lá pelos idos de 1970, as casas da rua 7 de Setembro eram simples, foi quando construíram a "casa das pastilhas azuis". Dizíamos pedrinhas azuis, com o tempo aprendemos a diferenciar pedrinhas de pastilhas de revestimento.
Era uma casa linda, chamava a atenção de todos. Nela moravam um casal e seus filhos.
Estudamos com eles no Colégio Estadual, o CENES, hoje Escola Estadual Geraldo Justiniano de Rezende e Silva, eu também morava naquela rua, numa das casas simples.
Todos que por ali passavam comentavam sobre a beleza da casa.
O tempo passou, a vida mudou, mudamos para outro bairro e não mais vimos os moradores da casa das pastilhas azuis.
As casas daquela rua ou foram reformadas ou foram transformadas em escritórios, lojas, clínicas, muitos moradores dali foram morar em condomínios, não mais havia crianças brincando na rua.
Anos depois, passei em frente a casa e observei que estava em estado de abandono, janelas quebradas, portões amarrados, azulejos soltos, parecia que a casa estava morrendo. Vocês já observaram que as casas vazias, deixadas para alugar ou vender, parecem tristes, bem ao contrário das casas novas, recém pintadas, que brilham, emanam luz e calor. Dá vontade de permanecer ali. Ao passo que as casas deixadas para trás, parecem frias, não temos prazer em permanecer nelas.
É recomendável que se pinte ou reforme uma casa antiga antes de habitá-la, quanta coisa aconteceu ali entre risos, lágrimas, brincadeiras, festas, discussões, nascimentos, mortes, é como se as emoções aderissem as paredes da casa.
Hoje, a casa das pastilhas azuis não existe mais, foi demolida, lá só está o terreno vazio. Será que construirão outra casa? Será que o novo proprietário vai se preocupar em conhecer a história daquele imóvel?
Deveria, afinal um dia ela foi a casa mais linda daquela rua!
Cristina Cimminiello


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Vamos brindar a chegada da Primavera?


                    Hoje acordei recordando uma canção antiga, uma marcha de carnaval composta em 1961 por Paulo Soledade e gravada por Altemar Dutra. A letra é simples, mas recordá-la ao abrir a janela e ver o sol brilhando, faz lembrar que falta apenas uma semana para a chegada da Primavera.
Para os que não se lembram,  a letra é esta:

Vê, estão voltando as flores
Vê, nessa manhã tão linda
Vê, como é  bonita a vida
Vê, há esperança ainda
Vê, as nuvens vão passando
Vê, um novo céu se abrindo
Vê, o sol iluminando
Por onde nós vamos indo
Por onde nós vamos indo.

Não sou poeta mas,  admiro quem consegue traduzir em versos a beleza que se vê na natureza: o céu azul, as estrelas, as flores que estão desabrochando, afinal tem alguma estação mais colorida do que a Primavera?
Nossa cidade pode não ter a beleza que gostaríamos, mas não podemos deixar de admirar os ipês, principalmente os amarelos, que floresceram,  há dias atrás, trazendo o brilho do sol para nossas ruas.
Observamos árvores frondosas, repletas de flores amarelas e também árvores quase sem folhas, confundidas com troncos secos, mas que igualmente nos brindaram com flores tão firmes que nem a chuva as derrubou.
Então? Vamos brindar a chegada da primavera?
Cristina Cimminiello

                                                                                                                     

Qual o sentido da palavra medo?


Sentimos medo do desconhecido, de novas experiências, de pessoas que não conhecemos, mas, o que existe por trás do medo? Orgulho? Inexperiência? Acomodação? Insegurança?
A violência que vivemos hoje não difere da que viveram nossos pais, lógico que para eles o mundo de hoje é bem mais violento do que o de antigamente, porém não podemos esquecer que atualmente a população é bem maior, consequentemente os problemas sociais também.
O mundo modifica-se a cada minuto. Pessoas morrem vitimas de doenças para as quais a medicina não encontrou ainda solução, por idade, nosso corpo envelhece, embora nossa mente permaneça ativa, há ainda as vítimas de  guerras, acidentes, terremotos e outros abalos da natureza.
Mas e o medo? Por que tememos o novo, o desconhecido? Temos medo de fracassar diante de um desafio em nossa profissão, em um novo romance, em uma viagem para um lugar que conhecemos apenas por fotografia ou programas de turismo.
O orgulho e a inexperiência nos impedem de seguir em frente porque podemos iniciar algo novo e errar, então o medo aparece na possibilidade de sermos ridicularizados.
A acomodação nos impede de sair de um emprego que abominamos porque tememos perde-lo e não conseguirmos outro que nos permita manter nosso padrão de vida.
Alguém disse certa vez: “O medo de perder tira a vontade de ganhar!”. Sábias palavras! O medo nos impede de viver, de crescer, de tomar atitudes que possam melhorar nossa vida.
Devemos temer sim atitudes impensadas, atitudes preconceituosas e pré-julgamentos. Devemos ouvir os mais experientes ou conhecedores de assuntos que não dominamos. Consultar aqueles que se sobressaíram em atividades que gostaríamos de realizar.
Mas, sobretudo, não devemos temer a vida, ela nos abre caminhos que muitas vezes nos parecem inimagináveis. Quando queremos mudar algo em nossa realidade, devemos reagir ao medo e buscar conhecimento para aproveitar o que ela está colocando diante de nós.
O medo não deve nos afastar do sucesso, ao contrário, deve nos impulsionar a melhorar em nossas escolhas profissionais e pessoais. Tomar uma decisão de mudança e de repente perceber que não era exatamente o que queríamos não deve nos deixar com medo de tentar novamente. É a tentativa de erro e acerto que nos impulsiona para o futuro.
O medo existe para nos fazer refletir sobre as decisões que devemos ou queremos tomar, não para nos impedir de seguir em frente.

Cristina Cimminiello

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A Estrela e o Vento



O dia amanheceu ensolarado. Havia chovido dois dias antes e o ar estava leve. Aquele era um dia especial. O lançamento do segundo romance da escritora. O dia transcorreu tranquilo. Na empresa todos se agitavam para divulgar aquele trabalho, percebia-se o quanto estavam interessados em seu sucesso.
A imprensa local divulgou amplamente sua história e o lançamento do livro novo. À tarde, enquanto ela se preparava para receber os amigos veio a notícia: “uma nuvem pairava sobre o local do evento impedindo que ele se iniciasse”.
O que fazer? Como cancelar o evento marcado para 19h, eram 18h? Como avisar os convidados que vinham de outras cidades. Ela dirigiu-se ao local do evento e confirmado que ele não seria realizado ficou esperando as pessoas que chegariam para explicar-lhes o ocorrido.
Ela não estava sozinha. O marido, um dos irmãos, o garçom, todos permaneceram ao seu lado, indecisos, preocupados. Telefonemas começaram a ser realizados, era necessário avisar o pessoal do Buffet contratado e pedir que aguardassem até depois do horário combinado porque não havia para onde encaminhar os produtos preparados por eles.
Às 18h30m juntou-se a eles a Estrela, preocupada porque ela havia organizado o evento naquele local, tentando tranquilizar a todos disse:
- Não vamos desistir, vamos pedir ajuda ao Vento.
E assim o fez. Enquanto ela buscava o Vento, a escritora atendia telefonemas, explicando para as pessoas o que estava  acontecendo. Juntaram-se a ela amigos seus e de seu filho, que permaneceram ao lado dela aguardando pacientemente os acontecimentos.
A espera angustiava a escritora. Quem aceitaria recebe-la? Salões não se alugam em cima da hora, restaurantes não a aceitariam porque estava levando o que deveria ser servido no coquetel. A resposta não demorou a chegar: “O  Vento providenciara um local para onde o evento seria transferido, junto com a Estrela preparariam o local para a noite de autógrafos,  a escritora receberia seus amigos conforme o combinado. Outra Estrela aproximou-se e colocou um cartaz na porta do local onde estavam, informando a mudança de endereço do evento.
A escritora permanecia ali,  esperando que seus convidados chegassem para informa-los do ocorrido e pedir que se dirigissem ao restaurante do Vento.  O colunista social e o fotógrafo, os amigos do condomínio, o poeta, o pintor, os amigos do filho, os familiares, todos solidários à escritora dirigiram-se ao restaurante e ficaram esperando por ela.
Ao lado dela permaneceram alguns amigos e o marido, para acompanha-la quando ela se sentisse segura de que ninguém ficaria sem informação.
Às 20h30m a escritora chegou ao restaurante e agradeceu a todos os presentes, lamentando que em virtude da confusão de cancelamento ou não do evento, alguns amigos deixaram de comparecer.
O evento realizou-se como esperado. O ar estava leve novamente. Os amigos se confraternizaram e manifestaram sua indignação para com a nuvem, porém a alegria reinava naquele ambiente repleto de estrelas.
A Noite estava clara, o Vento dissipara a nuvem e no céu o que se via era uma linda Constelação.
Cristina Cimminiello




sábado, 27 de outubro de 2012

Como eu prometi, pulicarei hoje mais um trecho de A voz do coração

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Na manhã seguinte a família de Augusto se reuniu para tomar o café da manhã. Eles deveriam estar no aeroporto ao meio dia e Suzana queria aproveitar para conversar mais um pouco com os filhos.
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- Você contou a ela que nós o adotamos?
- Não papai. Não senti a menor vontade de falar com ela nem com ninguém sobre isso. Não quero causar-lhes nenhum problema. Mas espero que você cumpra sua promessa.
- Meu filho começarei a procurar o convento amanhã. Só me preocupa o fato de que essas descobertas possam afastá-lo de nós.
- Não papai, eu amo vocês. Vocês me criaram como se fossem meus pais verdadeiros. Nunca fizeram distinção entre nós. Eu jamais faria qualquer coisa que viesse a magoá-los. Só quero saber quem são meus pais verdadeiros e porque me abandonaram. Essa pergunta me acompanha desde o dia em vocês nos contaram sobre a adoção. E, mesmo que tenhamos sorte de encontrá-los, eles serão estranhos para mim. Não sei se conseguirei sequer me aproximar deles.
- Augusto, não seja tão duro. Não sabemos que motivos levaram seus pais a abandoná-lo. Não devemos julgá-los. Muitas vezes a vida nos coloca diante de situações que nos obriga a tomar decisões que talvez nunca seriam tomadas ou até mesmo pensadas. Espere para saber o que aconteceu. Tenho certeza que deve ter havido um motivo muito forte para você vir para nossa família.
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Maria Luiza perguntou:
- Mamãe como você está se sentindo com tudo o que está acontecendo? Pelo seu olhar acredito que esteja sofrendo ou estou enganada?
- Não Malu você não está enganada. Estou preocupada com o que pode acontecer a Augusto e também tenho medo de perdê-lo. Quando somos jovens fazemos o que queremos sem medir as consequências futuras. Eu e seu pai agimos por impulo, talvez até por egoísmo, e agora estamos diante de uma situação totalmente fora do nosso controle.
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- Augusto não faça isso.
- Isso o que?
- Chamá-los de Suzana e Roberto, eles são nossos pais e nada vai mudar isso.
- Você não se importa de saber que não somos irmãos?
- Você fala tanto que a Marcela é infantil e esta bancando o crianção. É lógico que não me importa. Crescemos juntos. Você é e sempre será meu irmão mais velho. Pare de ver problemas aonde eles não existem. Eu não vou ficar repetindo toda hora que somos irmãos. Você é quem tem que acreditar nisso. Já pensou se a mamãe ouve você falar assim? Pense nisso: eles poderiam ter pego você e entregue a um orfanato qualquer, abandonado você quando eu e a Malu nascemos, excluíndo-o da vida deles e, no entanto o que fizeram, cuidaram de você, deram-lhe amor, estudos, alimentação, cuidados médicos, quando foi preciso. Não entre nesse processo de autopiedade, você não precisa disso.
- Desculpe Paulo, não sei porque falei isso. Desde que eu soube da adoção não conversei com ninguém sobre ela.
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- Augusto, nenhum de nós sabe como reagiremos diante da verdade. Vamos seguir nossas vidas e deixar o tempo passar. Só ele poderá nos mostrar o que queremos saber. Lembre-se do ditado "tudo tem seu tempo". Você veio viver conosco por algum motivo. Em breve saberemos qual é ele.
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domingo, 21 de outubro de 2012

Vou publicar, a partir de hoje, alguns trechos do livro A voz do coração, para que vocês conheçam meu trabalho.

A voz do coração

Prólogo

    Um homem dirige devagar. Está uma noite fria e chuvosa e ele teme pelo pequeno bebê que está ao seu lado no carro. O bebê tem apenas algumas horas de vida, foi colocado em um cesto e deverá ser levado até a roda da Santa Casa.
    Ele para em frente a uma bela casa próxima ao hospital e resolve deixar o cestinho na porta.
    - Com certeza eles receberão bem esta criança!
    Longe dali, em um pequeno convento, uma jovem olha para o vazio, incapaz de emitir qualquer som. Apenas uma lágrima escorre em seu rosto.
    As freiras se preocupam com seu estado, porém nada podem fazer. A jovem deu a lua a um bebê e não quis vê-lo. Pediu que fosse entregue ao homem que a acompanhava que ele saberia o que fazer.

Encontros
...

No dia seguinte, Augusto foi procurar uma ferramenta nas coisas do pai para consertar um vazamento de água na pia da cozinha. Enquanto revirava as caixas de ferramentas, derrubou uma caixa de papelão e dela caiu um cesto de vime. Ao pegá-lo para recolocar no lugar onde estava, o rapaz reparou no escrito no fundo do cesto "Convento Nossa Senhora de Lourdes". Imediatamente lembrou-se das palavras da irmã: "papai, a quem Augusto puxou? Ele não se parece conosco!"
                                                   ...
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Guardador de Rebanhos

Com esses versos que fazem parte do poema O guardador de rebanhos, publicados em Poemas Completos de Alberto Caeiro, escrito por Fernando Pessoa, estou retornando a fazer publicações no meu blog. Espero que minha escolha agrade a vocês.

[...]
Creio no mundo como um malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência
E a única inocência não pensar...

Bemvindos ao Sarau

Oi pessoal, é muito bom saber que vocês vieram participar do meu sarau.